Durante o Fórum de Negócios realizado em Natal (RN), Pablo Marçal trouxe reflexões diretas e, ao mesmo tempo, profundas sobre prosperidade, mentalidade e construção de resultados sustentáveis. Sua mensagem central parte de um princípio claro: prosperidade é natural, riqueza é consequência. Antes do acúmulo material, existe um processo interno de ativação de identidade, consciência e responsabilidade.
Marçal utiliza uma analogia consistente: sabedoria é a semente; prosperidade é o romper da semente; riqueza é o estágio posterior. Não há atalhos sem esse ciclo. O erro mais comum, segundo ele, é tentar colher resultados financeiros antes de estruturar a base emocional, mental e espiritual que sustenta o crescimento.
A ativação das habilidades e o fim da programação da estabilidade
Um dos conceitos mais fortes apresentados foi o de ativar, ao longo da vida, ao menos 120 habilidades. Não se trata de excelência em todas, mas de enfrentar desafios reais que forçam expansão cognitiva, emocional e comportamental. A metáfora do kitesurf em Preá ilustra bem: destravar uma habilidade exige desconforto, ambiente adequado e exposição ao risco controlado.
Segundo Marçal, fomos programados para buscar estabilidade, não crescimento. O desejo por um salário fixo, ainda que elevado, pode aprisionar se estiver associado à dependência emocional e à ausência de protagonismo. Ele propõe uma progressão clara: dependente → empregado → empreendedor → investidor. Permanecer indefinidamente em uma fase revela medo, não lealdade.
Ambiente, frequência e autoridade moldam o cérebro
O cérebro é altamente influenciado por três fatores principais: ambiente, referências e exposição ao novo. As pessoas que exercem autoridade sobre você — sejam líderes, mentores ou pares — moldam diretamente sua frequência mental. Por isso, andar perto de quem não deseja o mesmo futuro gera atraso silencioso.
Marçal afirma que só existem três tipos de pessoas com quem vale caminhar:
- As que estão indo para o mesmo lugar (compartilham esperança).
- As que já chegaram onde você quer chegar (têm autoridade).
- As que desafiam suas crenças e elevam seu padrão.
Inteligência emocional sustenta empresas
“Quem quebra uma empresa é o emocional do dono.” A frase resume um ponto crítico: não é a estratégia que falha primeiro, é a instabilidade emocional. Suportar o que não se gosta, adiar recompensas e manter consistência são sinais claros de inteligência emocional.
Nesse contexto, Marçal alerta sobre o perigo de buscar dinheiro como objetivo primário. Quando o resultado financeiro vira o fim, e não o meio, há corrosão de valores, decisões precipitadas e desgaste da alma. Propósito, para ele, não é destino, é rota.
Dívida, alavancagem e especificidade
Outro ponto pragmático foi o uso consciente de dívida: dívida para alavancar crescimento, nunca para consumo. Além disso, o cérebro responde à especificidade. Objetivos sem prazo ou data definida não geram ação. “Se não colocar a data, não explode.”
Na empresa, Marçal propõe substituir metas abstratas por alvos claros, tanto financeiros quanto de desenvolvimento pessoal. As palavras carregam intenção e produzem resultados. Por isso, escrever, registrar e declarar objetivos não é simbólico, é funcional.
Identidade, visualização e governança interna
Grande parte do conteúdo gira em torno do córtex visual, responsável por proteger crenças e tradições. Visualização diária, ainda que por um minuto bem feito, fortalece identidade e direção. Ele defende a escrituração dos objetivos, o chamado “caderno de decretos”, reforçando que tudo o que gera riqueza passa, antes, pelo registro consciente.
A ativação da identidade passa por sete camadas: aceitação do projeto pessoal, ressignificação da autoimagem, autoconhecimento, inteligência emocional (QE), governança interna, sabedoria espiritual (QS) e execução consistente.